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segunda-feira, 28 de maio de 2012

TAL MÃE, TAL FILHA (PARTE 2)



A
s primas fazem uma pequena “jam session” com violõezinhos surrados para tia Flor. Tocam em perfeita harmonia um solo no estilo barroco.

- Ocêis não pioraram nem um tiquinho, hem?- Flor elogia- Que talento!
- Bom, mãe. Agora o assunto que eu vim tratar com a senhora. O posto tá tão miserável que hoje, quando eu fui encomendar a feira pra ele, só tinha 100 na carteira, pra uma conta de 300. Paguei um King Kong na frente de todo mundo e quase soquei a cara do atendente...
- Como assim “quase”?
- Ela tem tentado se segurar.
- Quer dizer que minha filha caipirona que vive dando o troco em tudo que é marmanjo tá tentando virar uma pessoa civilizada, sô?
- Não é fácil, mãe. Eu saí de lá quase vomitando os pulmão. Tive de deixar meu celular como garantia. De forma que, eu vim ver se a senhora tem como me emprestar algum...
- Eu, minha filha? Olha pra mim, olha pra nossa casa! A gente já mora nesse prédio há 36 anos! Nóis nunca conseguiu juntar o bastante pra ir embora daqui, ocê sabe. Ainda vivemo da aposentadoria de seu pai. Sua irmã ainda dorme no berço que era seu!

Bárbara fica séria como uma esfinge e faz pouco caso do que a mãe disse.

- É, pra emprestar pra filha de verdade não tem, mas pra mandar a caçula adotada pra capital, nunca falta um tostão...
- Ih, já vi tudo...- Alexia já se prepara pra apartar a briga.
- BÁRBARA YRACEMA MOURA BERNARDES! MAIS RESPEITO COM SUA MÃE!
- É... Eu devo ter sido uma enorme decepção pra senhora, mesmo. Como a cria do seu sangue não conseguia pinotar sem cair, precisou recorrer ao sangue dos outros pra realizar seu sonho frustrado de infância, né?
- Não me faz buscar lá dentro o rolo de macarrão, mulher mal-criada!
- Que foi? Não consegue aceitar a verdade, mãe? Você me largou, sim senhora!- A moça vem de indicador em riste pro nariz da própria mãe, pronta pra guerra- Largou e foi caçar aquela pivetinha pra ensinar ela a ser tudo que eu quase morri tentando fazer pra te ver sorrindo!
- Baaaaaaarbie, controla a boca, prima!

A mãe agarra a filha pela gola da camisa e a fita nos olhos com o punho erguido.

- Nada como o bom e velho diálogo...- Alexia ironiza a situação.

Logo as duas saem correndo do prédio. Na calçada, Bárbara ainda grita com a mãe.

- E SÓ ESPERO QUE AQUELA PESTINHA NUNCA TENHA FEITO XIXI NO MEU BERÇO!

Um vaso de flores voa pela varanda do apartamento e espatifa na calçada. Bárbara, inconformada, senta-se à sarjeta para chorar.

- Por mais que negue, Barbie- Diz Alexia- ocê e tia Flor são uma o cuspe da outra... Mas pensa assim, dessa vez ocêis duas só ameaçaram partir pra ignorância!
- Deixa eu chorar em paz, prima! E agora, como eu vou pagar aquela dívida, sô? Me diz! Como?
- Dinheiro vai, dinheiro vem... - Alexia lhe oferece o ombro. - Não importa a quantidade, uma hora ele sempre aparece.
- Ocê sempre com essa falta de preocupação com a vida...
- E ocê sempre querendo que tudo saia do seu jeito, né?

O celular de Alexia toca no bolso. O ringtone é Rape Me, do Nirvana.

- Dá licencinha. Ih, a cobrar... Oi! Fala, Uli... O quê? Fala mais devagar, sô! Sério? Tanta gente assim? Tá, tá! A gente dá um jeito de voltar. Não vai roubar um centavo, hem? Brigada, Uli! Tchau!
- Que foi agora?
- Uli disse que a entrada da cidade tá interditada e tem centenas de carros parados na estrada, o posto tá lotado de gente!
- Não brinca!- O semblante dela muda no mesmo instante- Centenas?!
- Tá vendo, prima?

Bárbara joga bolsa longe e esbraveja.

- Cacete! Por que essas coisa só acontece quando eu não tô lá no posto, sô?
- Não importa, a gente tem que dar um jeito de voltar pra casa, uai! Vamo!


Mas elas chegam à entrada da cidade e vêem que simplesmente não tem jeito de sair. Um monte de moradores escora nas cercas de segurança, sem entender o que está acontecendo.

- Gente, nunca tinha visto tanto carro junto, Barbie!
- Tem até fila tripla, sô!
- E se a gente tentasse conseguir uma bicicleta emprestada?
- Pedalar cinco quilômetros com essa calça apertada? Sem chance!
- Sei lá, a gente tem que sair daqui de algum jeito.
- Ali, vamo perguntar praquele fiscal de obras! Moço? Moço? Que palhaçada é essa que ‘cês tão fazendo aqui?
- Ordens da prefeitura, senhorita. Ninguém pode entrar nem sair da cidade até segunda ordem!
- Mas... Isso é loucura!- Alexia se indigna- Olha só pra essa fila de carros lá fora, sô! Como eles vão passar?
- Meu negócio é há 5 km da cidade!- Bárbara entra no meio da discussão- Eu tenho que voltar depressa pra lá antes que assaltem o lugar!
- Sinto muito. Ordens são ordens. Mas já estamos trabalhando numa passagem provisória, que deve ficar pronta até o fim da tarde.
- Provisória? Como assim?
- Querem saber? Assistam ao programa do prefeito hoje. Não tenho permissão para dar mais nenhuma informação.

Bárbara espreme os punhos de fúria.

- Ah, mas vai falar, sim!

Ela já se prepara para enfiar uma na boca do fiscal abusado, e Alexia entra no meio.
- Calma, prima! Não vai quebrar o recorde de um dia todo sem bater em ninguém!
- Deixa só um pouquinho, vai, prima?- As pálpebras dela até tremem de raiva- Cada fibra do meu corpo exige que eu dê uma nesse cara!
- Segura mais um pouco, Barbie! Amiga... Amiga... Amiga...
- Viva a amizade!

Ela enfia um cruzado na cabeça dele, que desmaia. Todo mundo aplaude. Ela sai abrindo caminho no meio da multidão empurrando todo mundo, passa por debaixo do arame farpado e o deixa esticado pra Alexia passar.

- Caramba, não acredito que ocê fez mesmo isso, prima!
- E é só o começo. Óia só!

Elas passam diante de um homem esperando na moto e ela o arranca de cima dela.

- Êpa! Quê que é isso, moça?
- Conta pra polícia e eu te atropelo! Sobe logo, Lex!
- Desculpa, moço.- Alexia fica toda sem graça-  Ela tá de TPM. Daqui a pouco a gente devolve. Espera aí nesse mesmo lugar!

Elas dão meia-volta e vão embora a toda, deixando o dono da moto impávido.

4 comentários:

  1. Bárbara pareceu-me histérica e caricata demais. É preciso acalmar a moça.

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    1. a intenção com a personagem é mesmo caricaturizar as personagens histéricas de novela, ela só fica desvairada qd os planos dela n funcionam

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  2. Gosto do formato original de teus desenhos
    porém o atual os deixam mais engraçados
    talvez menos humanos, não sei se me fiz entender.
    Beijos amigo.

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    1. é bem mais fácil expressar emoções através da caricatura né nubia? beijos

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