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quinta-feira, 31 de maio de 2012

TAL MÃE, TAL FILHA(EPÍLOGO)

N
o apartamento de Flor, a mãe de Bárbara conversa com o marido no quarto. Ele, um índio obeso, cheio de manchas de comida no pijama, deitado na cama de barriga pra cima, parecendo uma bola de praia meio murcha, fala com um tom de voz rouco e gorgolejante.

- Bárbara teve aqui? Quando?
-Ah, Vai dizer que não escutou o berreiro, Binidito Ontonho!
- Por que ela não veio me ver? Nem desmai... Ehr... Dormindo eu tava!
- Ah, meu bem. Desde que ocê forçou ela a se mudar pro posto, tudo que ela sente por ti é raiva.
- Bom pra moldar o caráter dela. Pra conquistar a independência.
- Conquistar a independência? Faz dez anos que ocê mandou ela pra lá, e faz dez anos que ela te odeia, Tonho! Ela e Alexia vivem numa pobreza maior que a nossa!  Se visse como as duas tavam vestidas...
- Deixa as duas, Flor...
- Sabe como sua filha é, Tonho. Ela vai tocar o interfone todo dia até eu perder a paciência e dar pra ela o dinheiro que a gente não tem. Eu vi a tristeza no rosto dela. Quase chorou enquanto comia! Se ocê quer que ela volte a gostar docê, deixa ela fechar o posto! É tudo que ela mais quer no mundo!
- Fechar MEU posto?

Ele se levanta num salto.

- NUNCA! Foi lá onde comecei minha vida, e é lá onde ela terminará! Pode ser que os negócio teje mal hoje, mas amanhã...
- Acorda, homem! Ocê já entregou o negócio falido pra sua filha! Continuar mantendo em pé aquela birosca é maluquice. Sabe melhor que ninguém que ela odeia morar longe daquele jeito da cidade!

Ele se deita de novo, como uma árvore caindo.

- O posto continua. Vai buscar o mamão e a pinga.
- Diabo! Por que eu nunca me divorciei?
- Porque não tem como pagar um advogado?

Lá no posto, Alexia e Bárbara já estão devidamente uniformizadas e atendendo os fregueses.

- Tenho que reconhecer vagabundo. – Bárbara conta o dinheiro no caixa- Ninguém vende igual ocê! R$ 700,00 só em uma hora de trabaio? Como foi que ocê conseguiu? Óia só, tem até uma nota de dólar aqui!
- Debaixo de um calor de 40 graus no meio-dia e preso num asfalto fervendo, ocê é capaz de fazer qualquer bobagem por um copo d’água! E o Jô também deu uma forcinha... Óia ele lá.

Lá fora, o brutamontes sacode um motorista apavorado de ponta-cabeça pelos tendões, fazendo cair um monte de moedas dos bolsos dele.

- Viu só? Eu sabia que tinha mais dinheiro dentro desse seu terno. Adonai não perdoa quem mente! 
- Kurt, meu Kurt... Como ocê consegue fazer amizade com esse tipo de gente?
- Eu sou um cara muito persuasivo, Lexi. Ocê namorou comigo, conhece bem minha lábia.

Dá um beijo na bochecha dela.

- Convencido...
- Com esse dinheiro todo que ocê conseguiu- Bárbara comenta- vai dar até pra chamar um pedreiro pra remendar a pia que ocê arrancou!
- É o mínimo que eu podia fazer depois de te ver daquele jeito no bar, sô.
- larga mão de contar vantagem e vem me ajudar a atender os freguês lá fora, Uli.
- Na hora!

No fim da fila de carros, quase chegando à fronteira da outra cidade, Jakson e o homem que lhe ofereceu carona estão sem entender nada.

- Mas o que é que tá causando esse engarrafamento todo?
- E isso não pára de crescer. Já deve ter uns três quilômetros de carro atrás da gente! Como será que o Mad tá agora?
- Quê que tem eu?

Eles tomam um susto. O moleque aparece na janela do carona, comendo uma melancia inteira com as mãos.

- Manolo? Quê que tu tá fazendo aqui, véio?
- Ué, essa fila já tá chegando lá onde ‘cês partiram o Pampa no meio! Arrumei carona com outro cara, que veio rebocando o resto do carro com a caminhonete dele... E a gente parou aqui no engarrafamento.
- E parece que todo mundo ainda vai ficar aqui um tempão. Ainda não vi nenhum carro se mexendo lá adiante.
- Vai melancia aí? Afanei de um caminhão-quitanda ali atrás- Ele oferece uma pepita de melancia com o suco escorrendo pelos dedos cheios de feridas e pontos de pus. Jakson e o motorista vomitam de nojo.
- Mais pra mim. - O garoto fanfarrão enfia a cabeça inteira dentro da fruta.
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E aí, gente? Como vai o andamento da história?
para aqueles pensando em desistir de acompanhar o blog, fica um aviso: A partir da semana que vem é que a trama (se é que dá pra chamar assim...) vai começar mesmo. Aguardem e confiem!






2 comentários:

  1. Sei que, em nome da autenticidade, você está colocando os personagens para falar errado. Não exagera, senão afugenta a turma que gosta de ler. Nos diálogos é bom sempre colocar quem fala, para não ficar confuso. Sobre a quantidade de texto das postagens, está bom. Um posto falido que não fecha, a meu ver é inverossímil, considerando a quantidade de taxas e impostos a pagar. Melhor rever isso.

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  2. n escrevo com intenção de ser verossímil mas com intenção de divertir, parece q n tenho conseguido...

    bjos

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