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sexta-feira, 4 de maio de 2012

UM TOUR PELA CIDADE (PARTE 1)



L
á do 3º andar da obra da prefeitura, um grandalhão loiro e barbado de terno, capacete e óculos escuros assiste à confusão. Franze a testa, ajeita os óculos escuros e apaga a ponta do cigarro que fumava na língua.

- ÔU!- Ele grita lá de cima, chamando a atenção dos sujeitos, que olham para cima, assustados.
- Jô!! Não quer descer aqui e me dar uma forcinha, companheiro?- Uli pede ajuda aos prantos.

O brutamontes dá um meio sorriso, joga lá embaixo o capacete de construção e salta da viga numa cambalhota, caindo de pé bem na frente de todo mundo. O asfalto quase treme. Ele acaba com a briga em questão de segundos, distribuindo socos e coices a torto e a direito, enquanto transeuntes e os peões da obra assistem tudo lá de cima, exasperados. As garotas assistem ao vale-tudo boquiabertas. Ele dá a mão pro Uli se levantar, e lhe devolve as roupas.

- Valeu, Jô. Se ocê não tivesse me visto, eu já tava a caminho duma urna mortuária!
- Sempre aqui.- Josué responde com um sotaque judaico- Não quer tomar um banho na mangueira da obra? Com esse fedor de gasolina, parece até que passastes a noite no bar.
- Ia ser o primeiro banho do mês, mas dane-se.
- Quer ir tomar umas no bar do escocês depois do trabalho?
- Mazel tov!
- Não falei, Lex?- Bárbara comenta com a prima aliviada- Ele sempre dá um jeito de sair de qualquer roubada. Vem.
- Não sei onde Ulysses consegue amigos assim...- Diz Alexia- Bom, meu expediente hoje é só à noite. Vai lá resolver os problemas do posto, que eu vou ver se consigo achar alguma coisa que sirva em mim na loja de Tassiana. A gente se encontra no escocês na hora do almoço?
- Pode deixar.
- E lembra do nosso acordo. Tenta segurar sua raiva, hem?
- Tentando, tentando... Tchau!

Alexia anda até as lojinhas do centro. Por onde passa, todo homem dobra o pescoço pra ver e babar, sem deixar de dar as clássicas cantadinhas de pedreiro.

BAZAR DA TASSIANA- Roupas com alma.

Ela dá uma batidinha na madeira da porta da birosca, chamando atenção da atendente, uma baixinha negra com um tremendo barrigão de grávida.

- Oiiiiiiii!
- Uai! Vermelha, cumádi! Quanto tempo que ocê não aparecia!

Elas se abraçam.

- E aí? Já desencalhou? Tá casada? Tá morando na cidade e largou aquela ratoeira no meio do mato?
- Ehr... Tô trabalhando nisso. E ocê? Quando nascem os gêmeos?
- Daqui quatro meses.
- Kurt, meu Kurt! Não esquece de me convidar pro batizado! E o Feliciano?
- Nunca mais colocou os pés na cidade, depois que eu engravidei. Aquele cavalo...
- Todos iguais... Mas e então? Tem alguma roupa não muito velha aí que caiba em mim?
- Alguma preferência?
- Só uma bem grande, que dê pra esconder isso aqui!

Ela mostra a tatuagem monstruosa nas costas. Tassí mal consegue falar.

- Menina, mas que estrago! Que foi que te deu na cabeça pra fazer uma tatuagem tão grande e tão feia, sô?
- Nem queira saber, cumádi... Mas tem aí uma blusa, ou jaqueta, ou até uma capa de chuva que dê pra tampar isso?
- Vou ali dentro buscar um cestão. Mas eu ficaria mais relaxada em seu lugar, cumádi. Com seus peitões e esses olhos verdes, os homens só vão olhar pra essa tattoo quando ocêis tiverem na cama.
Elas riem.

- Eu já volto, cumádi.
- Aproveita e procura umas calças jeans bem justas, do jeito que eu gosto.
- Pode deixar.

Bárbara vai ao fornecedor fazer compras para o posto de gasolina. Ela olha para o bilhetinho em sua mão: N° 470. Ela é a última de uma fila enorme, mas ela tenta segurar o stress mesmo assim, acendendo o primeiro cigarro do dia.

-Ô, saco...- Ela lamenta- Pra quê uma roça de 6.000 habitantes precisa de guichê eletrônico, sô?
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Vou confessar a vocês que ilustrar todos esses capítulos não tem sido moleza, hem? Fazia muitos anos que eu queria me arriscar no mundo dos quadrinhos, e fazer tantas ilustrações é um bom começo. Por outro lado tenho quase deixado de lado minha maior paixão: Alexia. O que é irônico, pois toda a história gira ao redor dela. Tô pensando em largar as ilustrações de cada capítulo por um tempo pra voltar a me dedicar ao santuário de minha deusa de cabelos em chamas, que me dizem? Tem problema as histórias ficarem sem charges por um tempinho?

Abraço, galera!

Um comentário:

  1. A linguagem dessa turma é bem desbocada, mas por isso mesmo, autêntica. Vai fundo, que está bom!

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