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sexta-feira, 29 de junho de 2012

CONTATOS IMEDIATOS(PARTE 1)


- A
h, não, Jakson!- Manolo discute com o irmão, suando em bicas de tanto arrastar o carro pela estrada- Tu não fez uma coisa dessas, véio! Com a Lili? Aquela mina... E ela ainda é de menor, seu nojento!
- De menor, não. Ela só é baixinha. Tem uns 29 anos, mas o pai força ela a dizer que ainda é pré- adolescente pra tentar conservar a pureza dela. EPIC FAIL!

Os dois gargalham.

- Ela até faz o buço, sabia?
- Credo, Jakson! Informação demais... Mas jura que ela não é de menor? Véio, faz um ano que eles moram lá no prédio e ninguém desconfiava...
- E ela tava com uma fome que eu nem te conto... A Lili não mede nem um metro e meio, mas cavalga melhor que muito boiadeiro... Suei feito um exorcista embaixo dela! No fim ela até me pagou pela transa, acredita?

No balcão da lanchonete, os três cantam animados seu blues recém- reencontrado, revezando as estrofes. Bárbara canta com uma voz aveludada e angelical, lembrando a Fernanda Takai, enquanto Alexia canta de um jeito mais rasgado e debochado.

“Não podiam entrar ou sair
Havia cercas na fronteira
Acreditem, Não podiam entrar ou sair
Havia fiscais na fronteira
Todas as ruas interditadas
Ninguém sabia o que fazer

Mandaram
Ligar a Tv ás 5 da tarde
O prefeito veio nos falar
Ligamos todas as TVs às 5 da tarde
O lorde da guerra veio nos falar
Que São Modesto mudaria para a melhor
Mas para isso
Tudo deveria desmoronar ”

- Arregaça no solo, Lexi!- Ulysses pede e a ruiva obedece, fazendo uns improvisos viajandões de fazer inveja a um Jimmy Page da vida. Os dois irmãos escutam o som distorcido da Schecter Tempest lá de longe e se espantam.

- Olha ali no meio do mato! Parece que é um posto de gasolina!
- Endoidou, Jakson? Pra que alguém ia colocar um posto longe da estrada daquele jeito?
- Vai saber? Se tem um teto de metal, só pode ser um posto de gasolina! Vamo logo!
- Eu não! Isso é doideira tua, miragem, pô!
- Miragem não tem som de guitarra, abestado! Vamo nessa!

Jakson agarra os dois bambus e sai arrastando tudo sozinho, passando por cima do irmão caçula.

- Peraí, pôrra!- Manolo corre atrás dele.

Eles saem arrastando a caçamba do carro na carreira pelo piso de chão poeirento do posto de gasolina e desmaiam de exaustão no meio do caminho. Josué está de vigia na entrada do posto e os avista. O trio continua a cantar.

“Então
São Modesto em chamas, baby
Jà não há nada a se fazer
Já disse! São Modesto em chamas, baby
Não há mais nada a se fazer
Agora é juntar os cacos
E por um milagre torcer

Agora vejo a verdade!”

Josué dá uns petelecos na porta da lanchonete.

- Jô?- Uli se preocupa- Qué que tá pegando?
- Vocês têm que ver isso. É engraçado demais! Vem ver!
- Que foi?- Pergunta Alexia.
- Não dá pra explicar. Vem logo aqui fora!

Eles pegam lanternas e o acompanham até a entrada da estrada de chão. Lá encontram Manolo e Jakson dormindo em cima de uma poça de barro, imundos e escalavrados, com as mãos ainda segurando as varas do carro de mão improvisado. Eles riem e cochicham.

- Kurt, meu Kurt! Eles tavam tentando arrastar tudo isso sozinhos?
- Hehehehehe, a caminhonete deles tá só pela metade!- Uli acha graça- Por quantas horas será que eles arrastaram?
- A placa é do Rio.- Bárbara constata- Pela cor das roupas deles, parece que eles atravessaram a noite passada matagal adentro. Tem umas 100 latinhas vazias de cerveja e energético na cabine.
- Parece até que eles saíram daquele filme, Mad Max- Josué recorda.
- Acho que a gente devia carregar esses dois e a sucata deles pro posto e ver se acordam amanhã.
- E se eles forem bandidos?
- Fracos desse jeito, esses dois não conseguiriam roubar nem nosso tempo- Diz Uli..
- Vamos jogar os dois na caçamba.

Os quatro arrastam o monte de sucata com os dois irmãos em cima para debaixo do teto do posto.

- Sabe que até que o barbudim tem uma bunda bonita?- Diz Alexia.
- Ué, virou necrófila agora, prima?
- Ocêis não sabem nem da metade...

Todos riem.

Um comentário:

  1. Os dois irmãos fugiram de São Modesto para o Rio e já estão de volta? Gostei da citação da doce voz de Fernanda Takai.

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