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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

QUALQUER UM PODE SER MECÂNICO?




N
o posto...

- Até que terminaram de montar tudo rapidinho, hem?- Ironiza Bárbara.
- Vamo descer a caranga agora.- Diz Uli.
- Valeu pelas gambiarras, sorrisão.
- Rastafaris sempre alerta, maluquinho!
- Será que vai quebrar tudo de novo?
- Claro que vai, Mad!- Jakson provoca.- Essa merda já tem quase 30 anos, e carro velho só serve pra dar dor de cabeça!
- Aposto 200 como ocêis vão dar com os burros n’água...- Brinca a gerente do posto.

Fazem um sifão no tanque do Fleet pra passar um pouco da gasolina pro Pampa. Põem óleo e água no radiador.

- Cavalheiros e dama... Ou o que quer que a Bárbara seja...- Diz Manolo- Esse é um momento histórico! A descoberta do fogo, a criação da roda e da plástica nasal não-cirúrgica, nada disso pode ser comparado a...
- ANDA LOGO!- Todos gritam!
- Tá bom, tá bom. Nem fazer piadinha eu posso...

Manolo entra no carro e engata a chave na ignição.

- Contemplem... O futuro!

Dá a partida, o motor explode e sai voando como um foguete, arrancando o capô e arrebentando o teto da oficina. Uli não consegue acreditar no estrago que causaram. Manolo ficou em choque atrás do volante. Jakson rola no chão de tanto rir.

- Ââââââhn... Toma seus 200, Barbie.- Entrega Uli, derrotado.
- Sorte que ocêis não chegaram aqui montados numa bomba atômica...

A fila na frente da prefeitura continua fervilhante. Alexia tenta falar no orelhão.

- Recesso?- Bárbara responde no outro lado da linha- Por quanto tempo?
- Ninguém sabe. Pode ser que eles precisem de umas duas semanas para colocar tudo em ordem de novo.
- Que azar, sô...
- A cidade tá um caos, prima! Só vendo pra acreditar! Que horas ocê vem?
- Agorinha. Os três paiaço fizeram uma bagunça dos diabos aqui na oficina e eu forcei eles a irem à cidade comprar material pra consertar tudo.
- Beleza. Esperando lá no escocês, tá? Se é que ele ainda existe...
- Já tô indo, prima. Tchau.- Põe o fone no gancho- E então? Tudo pronto?

Os três, com os rostos inchados de tanto apanhar, estão dentro do Fleet, esperando por ela. Eles pegam a estrada. No meio do caminho, o celular de Uli toca.

- Fala, Tião! Hum. Hum. Sei... COMO É? QUEBROU TUDO?!? NÃO SOBROU UMA ÚNICA MÁQUINA EM PÉ? Ô, Jah... Tá certo. Eu tô chegando, daqui a pouco eu dou as caras por aí. Sua mãe também é! Falou, parceiro.

Manolo e Jakson não entendem nada.

- Quê que o Chorume queria?
- Dar as maravilhosas notícias do front. A rua sacudiu tanto que todas as máquinas da rádio espatifaram no chão. Não sobrou uma única máquina funcionando...-Surra a buzina- PREFEITIM MISERÁVEL, SÔ!!
- Que triste...- Ela responde com indiferença.
- Rádio?- Manolo entra na conversa- Então tu é radialista, também?
- Mais ou menos. Só dono duma estaçãozinha pirata lá na cidade. Pelo menos eu era, né?

Eles logo chegam à cidade. Manolo faz xixi no poste, gemendo muito de alívio.

- Oh, Jah... Isso que é mijar com autoridade!- Brinca o jamaicano- Cinco minuto de pé e ainda sai com força!
- O lepra de óculos comeu uma melancia toda ontem na estrada- Jakson implica com o irmão- É que nem tomar um balde d’água com açúcar, né verdade, maninho?
- Vivendo e aprendendo, né?

Cinco minutos mais tarde, eles andam pela cidade destruída.

- Prontinho.- Diz Uli- Sejam bem-vindos à nossa pequena, humilde e fedida São Modesto...
Só não entendi por que ocê quis tanto trazer esse skate, carioca. Carioca? JAKSON, TÁ ME OUVINDO, CUMPÁDI?

Ele está em estado de choque, com um sorriso enorme no rosto, admirado com a forma que a cidade foi construída: 2 km de ladeira até a avenida principal.

- Vão entender agora... - Responde Manolo, olhando baixo para a enorme descida.
- Meu, isso aqui é a matéria do que são feitos os sonhos!- Jakson sussurra baixinho para si mesmo.
- Liga não, Bárbara.- Continua Manolo- Jakson tem só dois vícios: Mulher e ladeira. Ele não pode ver uma ladeira grande que...
- Negativo, malandrão.- Bárbara dá um puxão na orelha de Jakson pelo brinco- Ocê precisa é de comprar tijolo e massa pra tampar aquele rombo enorme na laje da minha oficina!
- Desiste, índia. - Diz Manolo - Enquanto não descer essa ladeira, ele não vai conseguir pensar em outra coisa.
-HÁ! Esse brinco é de pressão!- Jakson se livra do puxão de orelha e monta no skate, deixando Bárbara só com a arruela de metal na mão- UHUUUUUUUUU!

Mesmo com as ruas sem asfalto e com toda a bagunça das caçambas de entulho, Jakson desce a majestosa ladeira da cidade como um foguete. Os outros três tentam correr atrás dele, em vão. Ele desce tão depressa pelas ruas que mal dá pra ouvi-lo gritando. Ele faz dezenas de manobras, se exibindo para as moças nas calçadas, mas quando aterrissa no último quarteirão, uma das rodinhas se solta e ele é arremessado contra uma placa de PARE, que o acerta bem naquele lugar.

- Ainda tá inteiro, carioca?- Pergunta Ulysses, acendendo o cachimbo.
- Só meio tonto... Já levei tanta cacetada na gaiola andando de skate que até já anestesiou.
- Ótimo...- Bárbara o agarra pelo cabelo- Agora nós vai cuidar daquele outro assunto, que é mais importante que sua vida! Vem, vem e num reclama!
- AI! AI! O cabelo não é anestesiado, não!
- Sorte minha... Agora vem andando, Tony Hawk! Quero começar a consertar o teto da oficina ainda hoje!
- Minha vozinha...- Manolo observa a dor do irmão- Ainda bem que meu cabelo é de escovinha de vaso...
- Podes crer, maluquinho...

2 comentários:

  1. Muita explosão e pancada como deve ser um desenho animado de ação. O que está confuso é a real situação das edificações. Machucou alguém? Alguma casa caiu? Ou apenas a pavimentação asfáltica se quebrou em alguns pontos?

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  2. leia o capítulo anterior para entender

    beijos

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